Neuromancer - A Selvageria da Ciência

Curiosidades e fatos da biologia e outras áreas, com direito a discussões.

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Arquivo de: Agosto 2007, 04

04.08.07

Fósseis vivos e Pingüins parte II

Continuando o tópico anterior , a classificação e filogenia dos celacantos seriam a seguinte:

• Classe SARCOPTERYGII
                   o Actinistia
                            Eoactinistia
                            Subclasse Coelacanthimorpha
                                       Ordem Coelacanthiformes
                                                 Familia Latimeriidae
                                                           Macropoma
                                                           Latimeria
                   o Rhipidistia 
                           Subclasse Dipnoi
                                      Ordem Ceratodontiformes
                                      Ordem Lepidosireniformes
                           Subclasse Tetrapodomorpha
                                      Ordem Rhizodontida 
                                      Superordem Osteolepidida 
                                                 Familia Tristichopteridae
                                                           Eusthenopteron 
                                                           Hyneria 
                                      Ordem Osteolepiformes
                                      Ordem Panderichthyida
                                      Tiktaalik
                                      Tetrapoda



Ainda aproveitando a conversa sobre fósseis, foram descobertos fósseis de pingüins "gigantes", com cerca de 1,5 m de altura e um bico de quase 18 cm de comprimento, que habitavam a região onde hoje fica o Peru, há mais de 40 milhões de anos. Isso mostra que as aves começaram a migrar para regiões de clima mais quentes muito antes do que os cientistas imaginavam. A descoberta, de pesquisadores americanos, foi publicada na edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, na Internet, esta semana.

Conhecidos por sua presença na Antártida, os pingüins hoje habitam muitas ilhas localizadas no hemisfério sul, algumas até próximas à Linha do Equador. Mas os cientistas acreditavam que eles só começaram a viver em regiões mais quentes há cerca de 10 milhões de anos.

Fósseis de dois tipos diferentes de pingüim - datados em 40 milhões de anos - achados no Peru mostraram que essa teoria estava errada. Um deles, o Icadyptes salasi, media cerca de 1,5 m de altura e tinha um longo bico afinado, com quase 18 cm de comprimento. O segundo fóssil descoberto no local era da espécie Perudyptes devriesi, de tamanho similar ao do atual pingüim-rei, cerca de 90 cm de altura.

Fósseis vivos e Pingüins parte I

Por muito tempo, especialistas acreditaram que peixes do tipo do celacanto tivessem se extinguido há cerca de 70 milhões de anos, mas uma espécie foi encontrada na África em 1930 e depois, em 1998, uma outra foi encontrada na Ásia.

Os celacantos têm uma aparência incomum, com nadadeiras que se assemelham a patas. Eles também podem fazer uma manobra incomum no leito do oceano, parecida com "plantar bananeira", possivelmente para procurar por comida.

O novo espécime de celacanto foi achado há dois meses por um pescador ao norte da Ilha das Celebes, parte do arquipélago indonésio. Mais de 300 exemplares da espécie Latimeria chalumnae já foram encontrados nas águas do arquipélago das Comores, na costa sudeste da África. Mas a espécie asiática Latimeria menadoensis sempre deixou perplexos os cientistas.

"Quando o celacanto indonésio apareceu em 1998, muita gente saiu para tentar encontrar outros na área, mas ninguém havia conseguido até agora", disse Peter Forey, um especialista em celacantos do Museu de História Natural de Londres. "O fato de que outro espécime foi encontrado (na região) é significativo; ele confirma essa é a localização genuína de outra população de celacantos”.

Os testes em andamento devem confirmar se o peixe encontrado é de fato da espécie asiática e poderiam ajudar a responder por que as duas espécies se separaram e vivem a milhares de quilômetros uma da outra. "Estimativas feitas a partir do perfil genético do peixe encontrado em 1998 indicam que elas se separaram entre quatro e cinco milhões de anos atrás. Porém, uma análise da geologia dos oceanos, indica que eles devem ter se separado há cerca de 30 milhões de anos", disse Forey.

Esses peixes pertencem ao grupo dos Osteichthyes, ou peixes ósseos. Os celacantos são da classe Sarcopterygii, subclasse Coelacantimorpha. Esse gênero que foi comentado pertence à Família Latimeriidae. É considerado um fóssil vivo porque pertence à linhagem de peixes mandibulados mais antiga que se conhece. Esse tipo de peixe acreditava-se que foi extinto no fim do período Cretáceo. O primeiro registro fóssil foi datado da época do Devoniano médio, em torno de 410 milhões de anos atrás. Espécies pré-históricas de celacantos viviam durante o fim do Paleozóico e Mesozóico.

As características dos celacantos, como dito anteriormente, são nadadeiras peitorais e anais lobuladas, ou seja, parecem membros, diferentemente da outra classe de peixes ósseos, os Actinopterygii. Estes possuem as nadadeiras sem lóbulos, somente raiadas. Outra característica deles é o fato das suas escamas serem do tipo cosmóides modificadas, sendo um pouco menores do que as normais. E por último, eles também possuem um aparelho eletroreceptor na frente do crânio, chamado de órgão rostral, o que provavelmente ajudava na caça de presas.

Na especiação que ocorreu no fim do Devoniano, entre os vertebrados, descendentes de peixes com nadadeiras lobadas, como Eusthenopteron, exibiram uma seqüência de adaptações, como: o gênero Panderichthys adaptado à águas rasas enlameadas; o gênero Tiktaalik com nadadeiras que pareciam membros que podiam o transportar em terra; primeiros tetrápodes como Acanthostega com pé com oito dedos e Ichthyostega com membros reais; e outros peixes com nadadeiras lobadas, como os celacantos.

03.08.07

Abelhas X Bombas

Quem diria? O homem já utiliza o faro de animais há tempos, para procurar drogas, pessoas nos escombros, pessoas soterradas e principalmente para achar caça… E também para acharem minas antipessoais. Mas o principal empregado nisso tudo são os cães. Só que agora os croatas vieram com uma idéia inovadora. Eles estão utilizando abelhas para ajudá-los a localizar as bombas!

Sob os olhares atentos de seus treinadores, centenas de abelhas se lançam sobre um aprazível campo nas proximidades de Zagreb, não à procura de pólen, mas de minas antipessoais espalhadas que estes insetos são capazes de detectar graças ao seu odor excepcional. Odor este que se resume à pólvora.

As operárias foram especialmente treinadas por cientistas da Faculdade de Agronomia de Zagreb para que sejam capazes de identificar o cheiro dos explosivos. Em pouco tempo, elas devem ser levadas a campos minados, que doze anos depois do fim da guerra da Croácia (1191-1995), ainda possui minas instaladas nas antigas zonas de combate.

Para ensinar às abelhas a sentirem o cheiro das minas, os treinadores põem pequenas quantidades de TNT em taças e as colocam ao lado dos recipientes onde fica a comida dos insetos. O objetivo é fazê-los associar o odor do explosivo ao do alimento.

Segundo os pesquisadores, são necessários somente quatro dias para treinar as abelhas a rastrearem o cheiro do explosivo. Mas eles comentam que o odor exalado pelo explosivo de uma mina escondida na terra é muito mais fraco do que eles estão atualmente usando. Mas ao menos eles estão esperando que o método seja validado, para poderem então utilizá-lo.

No território croata ainda existe uma porcentagem considerável que se encontra cheia de explosivos. Atualmente 30 companhias, com cerca de 600 especialistas e 130 cães farejadores estão trabalhando na retirada dos explosivos.

Os problemas que eu vejo são somente três:

1. As abelhas podem sim identificar e associar o cheiro dos explosivos ao pólen, mas quando estiverem em campo aberto, com outras plantas sem o cheiro (que provavelmente é um pouco aversivo) dos explosivos, será que elas não irão preferir o perfume das plantas puro?

2. Interessante que o tempo de treinamento das abelhas é curto, mas do mesmo jeito o tempo de vida delas o é. Isso significa que mais abelhas terão que ser treinadas, e freqüentemente, o que pode levar a um erro maior nos resultados.

3. Sem uma forma de recompensa reforçadora do ato de buscar as minas, recompensa essa direta (como um petisco para os cachorros), isso pode aumentar mais ainda a chance de erro depois de um tempo, que como eu disse no segundo tópico, será curto.

A idéia é interessante, no final das contas. Afinal, o custo de se manter um grupo de abelhas é muito menor do que manter um grupo de cachorros. O tempo também, no final, é levado em conta. Quanto menos tempo para se adestrar, menos gastos, e mais rápido os resultados virão. Isso se tiverem uma porcentagem alta de acerto.

E talvez o que mais impressiona a maioria das pessoas, e o que favorece a escolha das abelhas em relação à cachorros e humanos, é que se as abelhas explodirem, não sai sangue. Heh. Isso realmente assusta muita gente…