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Hoje eu quero falar sobre formigas. Ultimamente estou me deparando muito com elas. O mais interessante é que não é no meio do mato, mas sim em papéis! E não é para fazer ninho...
Eu encontrei uma notícia falando que as experiências acumuladas durante a juventude pelas formigas da espécie Cerapachys biroi determinam seu comportamento durante a etapa adulta, sendo que esta informação saiu de um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista Current Biology. Uma característica importante delas é que a maioria dos integrantes do ninho não passa de clones, o que diminui a chance de ocorrer algum fator aleatório.
Biólogos da Universidade de Paris dividiram um grupo de formigas, todas elas em idade de buscar comida para as larvas, em dois grupos: a metade dos indivíduos foi introduzida em uma zona onde haviam presas e a outra, em uma área sem nenhum tipo de alimento em potencial. Um mês mais tarde, a primeira metade do grupo se especializou na busca por alimentos. Em contrapartida, a segunda voltou sua especialização para o cuidado das mais jovens no interior do ninho, segundo os cientistas.
Segundo eles, a história individual possui portanto um papel na organização das sociedades de insetos. A experiência vivida surge então como uma variável fundamental no desenvolvimento do comportamento. Originárias do Japão e de Taiwan, as formigas Cerapachys biroi foram eleitas para esse experimento porque se reproduzem sem fecundação, o que faz de todos os seus indivíduos cópias perfeitas.
Agora, esta notícia tem alguns pontos que não são bem explicados. Por exemplo, não fala se as formigas, depois do desenvolvimento em seus respectivos ambientes, foram colocados em um ambiente comum aos dois grupos ou se continuaram no mesmo lugar. Se ocorreu a segunda situação, então não dá para falarmos que ocorreu realmente uma especialização. Pois pode ter sido somente uma adaptação, onde as formigas tiveram que utilizar mais tempo para um dado exercício do que outro, conforme o ambiente.
Outro erro que não fala a notícia, é se a dita especialização que ocorreu foi na próxima geração de formigas, ou somente na original mesmo. Se ocorreu na segunda geração, então o desenvolvimento do comportamento em formigas pode sim sofrer influências externas, durante a fase larval.
Quanto à história individual, essa é um pouco reforçada por uma outra reportagem que eu li recentemente. Essa reportagem diz respeito à Teoria da Coletividade, que irei abordar mais futuramente, em outro tópico. Mas resumidamente, o que acontece em um ninho de formigas é a utilização de situações individuais para poder formar a resposta coletiva. Por exemplo, o número de formigas que saem todo dia para coletar depende do número de encontros que acontecem entre as Exploradoras e as Trabalhadoras. E as Exploradoras podem, cada uma, tocar mais Trabalhadoras quando a comida se encontra próxima.
Algumas pequenas informações adicionais: as formigas sabem em que direção seu ninho se encontra pela angulação em relação ao Sol. Mas a distância, elas sabem contando as passadas que dão! Foi feito um experimento onde colocaram cerdas em pernas de formiga (sim, insetos possuem pernas, e não patas!) depois de terem se deslocado alguns metros do formigueiro. Estas mesmas formigas, ao voltarem, caminharam uma certa distância a mais, equivalente ao número de passadas vezes o acréscimo das cerdas! Os mesmo pesquisadores fizeram também o inverso, diminuindo as pernas das formigas, e descobriram que elas estavam procurando seu formigueiro em uma distância menor do que realmente se encontrava.
Agora fica a pergunta: será que elas contam cada uma das seis pernas, ou somente uma?
Feliz dia dos pais!

criado por Rodrigo R. Bammann
20:17:21